Sim! Acredito que existam alguns conceitos importantes sobre o sono que os pais devam saber para não almejarem uma noite inteira de sono quando ainda não há estrutura cerebral pronta para tal tranquilidade. Vamos entender: o sono do recém nascido não tem a capacidade de diferenciar dia e noite. Não há secreção do hormônio melatonina, o hormônio da noite que informa o cérebro de que é noite e o cérebro deve desacelerar. Somente a partir de 3 meses de idade, esse hormônio começa a ser produzido e, com isso o sono do bebê tende a ficar um tanto mais contínuo durante o período noturno. Então, antes desse tempo, é absolutamente esperado que a criança acorde a cada 2-3 horas de madrugada.
Para este completo amadurecimento, podemos dar uma ajudinha, como criar rotinas de sono noturno muito similares de um dia para o outro. Isto leva ao progressivo entendimento do que é o sono do dia (cochilo) e o que é o sono da noite (mais longo, com menos interrupções).
Outro ponto fundamental é que o processo de adormecer é aprendido, assim como, sentar, engatinhar e andar. Tem crianças que parecem que “nascem sabendo” dormir sozinhas e outras precisam de um empurrãozinho. Ao longo dos primeiros meses de vida, os bebês vão percebendo o que é a sensação de sono e o local onde dormem. O mais saudável para o bebê é que ele próprio vá, ao longo dos primeiros meses de vida, criando estratégias para pegar no sono, e não dependa da sucção do leite ou do balanço no colo da mãe para conseguir adormecer. A desassociação entre amamentar e dormir é muito importante ao longo do processo de ensinar o bebê a adormecer de modo independente. Mas como fazer isto? Entenda, não é de um dia para o outro, mas tente perceber quando o bebê, já saciada sua fome, passa a sugar o peito ou mamadeira somente para ajudar a si próprio a adormecer. Este é o momento de, sutilmente, ir mostrando para o bebê que é hora de adormecer no berço ao invés de adormecer no peito. Colocá-lo no berço ainda sonolento e não totalmente dormindo é uma excelente forma de ensinar o bebê a dormir de forma independente. Para finalizar, uma ressalva: isso não implica, de forma alguma, de diminuir o laço de amor, proximidade, afeto com a criança. É só mais um ato de amor para o bem-estar de todos os envolvidos, inclusive o bebê.

Otorrinolaringologista com Especialização em Medicina do Sono.
Pós Doutoranda pela UNIFESP. Professora e pesquisadora no Instituto do Sono SP
CRM-SP 101.577
@drasandradoriasono
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