Ser mãe é, sem dúvida, uma das jornadas mais transformadoras e desafiadoras da vida. Desde o momento em que a maternidade se torna uma possibilidade, as expectativas começam a surgir, vindas da sociedade, dos familiares e, mais severamente, de si mesma. Muitas vezes, a mãe se vê cercada por ideias do que “deveria” ser e fazer, e essas cobranças, frequentemente invisíveis, são as que mais pesam.
A sociedade não poupa esforços em idealizar a maternidade. Nas redes sociais, nas propagandas, até nos comentários inocentes de conhecidos, constrói-se a imagem de uma mãe que sempre tem paciência, que concilia trabalho, casa e filhos com maestria, que nunca erra e que está sempre disponível para tudo e todos. Essa figura perfeita não existe, mas seu reflexo, muitas vezes, é visto por cada mãe ao se olhar no espelho. A comparação nasce e, com ela, pode ocorrer a sensação de fracasso.
Mas por que é tão difícil, para uma mãe, sentir-se suficiente?
Frequentemente, a sensação de não ser suficiente aparece em situações cotidianas: faltar a uma reunião escolar, usar telas para distrair as crianças, não estar presente (de corpo e alma) em tudo que está relacionado aos filhos ou até mesmo tirar um tempo para si mesma. Essa sensação de insuficiência pode ser desgastante e até paralisante.
A resposta pode estar no amor profundo que ela sente por seus filhos. O desejo de protegê-los, educá-los e garantir que sejam felizes muitas vezes se transforma em uma cobrança interna constante, como se cada detalhe de suas vidas dependesse exclusivamente dela. Mas sentimentos negativos em relação a eles também podem ocorrer, e reforçar muita culpa posteriormente.
A culpa materna, então, encontra solo fértil e cresce, transformando-se na constante sensação de não ser suficiente e pode surgir, independente da fase da vida dos filhos, das altas expectativas depositadas sobre elas mesmas e da pressão social que idealiza uma maternidade perfeita.
É importante ressaltar também que culpa é um dos sintomas que faz parte da síndrome depressiva, mas que para ser configurada como tal, deve estar acompanhada de outros sintomas. Para que isso seja esclarecido, é importante que um bom diagnóstico seja feito, e deve ser realizado por médico psiquiatra ou psicólogo especialista em transtornos de humor.
Ser mãe não significa ser perfeita. Assim como qualquer pessoa, as mães têm limitações, cometem erros e enfrentam dias difíceis e isso faz da maternidade um aprendizado constante.
Esquece-se, nesse processo, que a maternidade não é sobre perfeição, mas sobre presença e constância. Não é sobre nunca errar, mas sobre estar disposta a aprender e a corrigir os rumos quando necessário. E promover a autonomia e independência de seus filhos. Contudo, as falhas não podem ser um padrão.
O que realmente importa?
No final das contas, a maternidade não é uma questão de fazer tudo certo, mas de estar presente com amor e intenção e constância. Seus filhos vão lembrar dos momentos de conexão, do carinho e do apoio que você oferece, e não das vezes em que as coisas não saíram como o planejado.
A difícil arte de não se sentir insuficiente começa com a prática da autocompaixão. Reconhecer que você está fazendo o melhor que pode, dentro das suas condições. Afinal, para os seus filhos, você é exatamente quem eles precisam. Mas cuidar da sua saúde física e mental é fundamental para que essa jornada dê certo. E isso é mais do que suficiente. Mas é importante lembrar: a maternidade perfeita não existe! O mais importante não é fazer tudo certo, mas sim cuidar com amor e se esforçar para dar o melhor de si, dentro das possibilidades de cada momento.