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Adaptação do bebê prematuro em casa após a alta hospitalar

Tempo de Leitura: 5 minutos
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Bebês prematuros são os que nascem antes de completar as 37 semanas de gestação. Esses bebês não atingem a maturidade esperada para o funcionamento de órgãos e sistemas do corpo de forma segura, e assim, nascem vulneráveis a diversas condições de risco à vida. Quanto menor a idade gestacional de nascimento, maior a vulnerabilidade desses bebês às condições de risco relacionadas à prematuridade.

Por conta desse cenário de cuidados especializados desde o nascimento, envolvendo internação hospitalar, padronização de cuidados com a neuroproteção (cerebral), rotina de cuidados com a pele, cirurgias, alimentação especial, cuidados especializados e altas tecnologias como suporte de vida, esse perfil de bebês precisa de conjunto de estratégias que facilitem sua adaptação em casa após a alta hospitalar. E essa fase de adaptação pode ser uma jornada desafiadora tanto para o bebê quanto para os pais, já que algumas vezes, o bebê enfrenta meses até a alta hospitalar.

Em nove anos de experiência em fisioterapia hospitalar em maternidade e hospital pediátrico, consegui através da escuta e observação elencar algumas sugestões que favorecem essa adaptação ao lar. Em primeiro lugar, a atenção e o cuidado com a saúde e com a imunidade. Esse bebê precisará retornar à maternidade ou ao consultório do pediatra algumas vezes para acompanhamento. Dependendo do pediatra e da evolução do bebê, a frequência de consultas pode ser com intervalo semanal ou mesmo de dias. E mais, ele terá um conjunto de cuidados para fortalecer à imunidade, incluindo um calendário de vacinas e vitaminas, já que eles têm sistemas imunológicos mais suscetíveis à infecções.

É indicado que todos os bebês que nasceram prematuros sejam acompanhados equipe multidisciplinar: pediatra, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, e dependendo das condições clínicas e biomecânicas que esse bebê apresentar, novos profissionais ou especialidades podem ser acrescidos, como o terapeuta ocupacional e o nutricionista.

Em segundo lugar, o estabelecimento de rotinas. Os bebês precisam de uma rotina com horários estabelecidos para banho, alimentação, sono e para brincar. Esses bebês estão acostumados com o ambiente hospitalar (cheio de rotinas), a rotina em casa irá favorecer essa adaptação. Em terceiro lugar, o toque. Esses bebês enfrentaram diversas situações de procedimentos que apesar de essenciais dentro da linha de cuidado especializado, não são isentos de dor: punções, vacinas, colocação de sondas, aspirações e outros.

Com esse histórico, muito provavelmente esse bebê não aceitará qualquer tipo de toque. Os toques que geram mais conforto são os que são firmes e seguros, os toques mais leves geralmente são recusados. É importante observar a resposta que o bebê apresenta durante o toque, vários bebês podem apresentar sinais de distúrbios sensoriais, hiper o hipossensibilidade ao toque. Minha sugestão é que uma rotina diária de massagem seja estabelecida, ela irá ajudar na aceitação do toque, no aumento do vínculo com os pais, no aumento dos movimentos de braços e pernas, aumento da expansibilidade da caixa torácica (ajuda na respiração) e peristaltismo intestinal, na redução dos quadros de cólicas, no aumento da qualidade do sono e ainda, na redução dos sinais de irritação e estresse. Lembrando que e a pressão e a velocidade poderão ser adaptadas conforme o conforto e a aceitação e cada bebê.

Em quarto lugar, temos o sono. Os bebês que nasceram prematuros possuem um ciclo do sono diferente dos bebês que nasceram a termo (nasceram a partir de 37 semanas). Os ciclos de sono são mais curtos e menos definidos em comparação com os bebês a termo. Frequentemente apresentam mais características de sono leve do que em sono profundo. Isso significa que eles podem acordar mais facilmente e podem ser mais sensíveis a estímulos externos, como barulhos e luzes. E serem mais irritadiços, o tempo de sono dos bebês é fundamental porque irá influenciar o estado comportamental e na rotina de humor do bebê.

Algumas horas antes de fazer o bebê dormir é importante prepará-lo para esse momento: conversar com ele (explicar que ele vai dormir), reduzir as luzes na casa, reduzir os ruídos (eletrodomésticos, eletrônicos e altura da voz), as telas não são indicadas em menores de 2 anos de vida. É importante que todos os moradores da casa saibam da importância desse conjunto de ações para que essa estratégia seja consensual.

E em quinto lugar, é importante que os pais tenham um espaço de compartilhamento e troca, que pode ser a participação em um grupo de pais de bebês que nasceram prematuros, pode ser uma sessão de terapia com um psicólogo, pode ser envolvimento mais próximo de algum membro da família para a realização desses cuidados; e podem ser todas as opções mencionadas. Essa fase exige muito dos pais, emocionalmente e fisicamente, uma rede de apoio e suporte profissional são necessários para a saúde mental da família. Por fim, é fundamental manter o ambiente doméstico arejado, ventilado e limpo, evitar exposição a pessoas com suspeitas de gripes e resfriados e evitar sair com o bebê em aglomerações. E após a alta, levem a uma avaliação com um fisioterapeuta pediátrico.


Dra. Taciane Melo
Fisioterapeuta neuropediátrica, especializada em desenvolvimento de bebês,
Instrutora de Shantala, Mestre em Saúde Pública pela Fiocruz, ILMD/AM (2018),
Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN), Membro da La cause Des Bébés, associação francesa transdisciplinar de estudos e pesquisas sobre bebês, unidade Brasil.
@fisiotaciane_melo
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