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ATÉ O 6º MÊS, SÓ LEITE MATERNO E MAIS NADA!

Tempo de Leitura: 6 minutos
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A divulgação do trabalho coordenado pela pediatra britânica Mary Fewtrell no British Journal of Medicine está provocando amplas discussões a respeito do aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida.

Segundo a autora, seus estudos sugerem prejuízos à criança quando não são introduzidos, precocemente, a partir do 4º mês, outros alimentos sólidos. Ao mesmo tempo, a pediatra cita os benefícios que a associação de alimentos potencialmente alergênicos poderia ter se iniciados nesse período (entre o 4º e o 6º meses de vida), quando existe uma “janela imunológica” juntamente com a proteção do leite materno. Assim, as crianças poderiam “se livrar” das alergias alimentares, quadro que acomete de 6 a 8% da população infantil, segundo estatísticas inglesas que são relativamente próximas das estatísticas brasileiras e mundiais.

Janela imunológica

O recém-nascido apresenta seu sistema imunológico imaturo. Essa formação vai ocorrer e se completar com tempo, até o 3º ano de vida.

A alergia é uma resposta exagerada a um estímulo, nesse caso alimentar, que, quanto mais amadurecem as defesas e as respostas imunológicas da criança mais intensa fica.

Entre os 4 e os 6 meses de vida, parece existir uma acomodação do sistema imunológico do bebê que faz com que alguma substância, potencialmente causadora de alergia, passe a ser tolerada se introduzida nessa fase, especialmente pela proteção do aleitamento materno.

Assim, se algum alimento que vá causar alergia for introduzido após o 6º ao 7º meses, a reação poderá voltar a se mais potente.

Entre as crianças que apresentam alergia alimentar (2 a 6% no Brasil), 85% apresentam alergia à proteína do leite de vaca (não confundir com intolerância á lactose). A seguir, aparecem nessa lista ovos, peixes, frutas cítricas (especialmente o kiwi) e o tomate. Dessas, peixes e nozes podem induzir alergia mais permanente, enquanto as outras podem desenvolver tolerância. Já no adulto, a sensibilidade é mais comumente causada por crustáceos, queijos, vinhos, cerveja e temperos.

Até por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia reformularam a introdução da clara de ovo e dos peixes, que era recomendada aos 10 meses de vida para a partir do 6º mês mas não antes, sob nenhuma circunstância.

Algumas colocações importantes

Entre o vários órgãos que se manifestaram contrários a essas conclusões, acho que vale apena citar o manifesto de resposta da a UNICEF do Reino Unido a respeito do assunto.

– Esse artigo não foi baseado em novas evidências mas sim em uma reanálise de dados antigos que serviram inclusive como base na orientação de desmame da OMS e do Ministério da Saúde do Reino Unido.

– Há inúmeras vantagens comprovadas do aleitamento materno no que tange à proteção da saúde como redução de infecções, do risco de diabetes e obesidade infantil, bem como de câncer de mama nas mães lactantes e de depressão pós-parto.

– A introdução de alimentos sólidos somente a partir do 6º mês vem de uma recomendação da OMS de 2001 e do departamento de Saúde do Reino Unido de 2003, mudando, inclusive, sua diretriz anterior que era entre 4 a 6 meses.

As causas da discórdia

No trabalho realizado na Inglaterra, os principais problemas que seriam solucionados com a introdução da alimentação sólida no 4º mês, contrariando a orientação que vem desde 2001 da Organização Mundial de Saúde (OMS) referendando o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês, são as seguintes:

Sobre a anemia por falta de ferro (ferropriva): Se assegurarmos que a gestante não tem anemia e que o corte do cordão se dará no momento adequado (quando parar de pulsar e não antes disso), a reserva de ferro do bebê associada ao aleitamento materno proverá o bebê de ferro suficiente pelos primeiros 6 meses. (Meus comentários): Não adiante termos ferro em quantidade suficiente. Ele precisa ter biodisponibilidade, ou seja, ser bem absorvido. A biodisponibilidade do ferro do leite materno supre, com sobras, as bnecessidades da criança até o 6º mês de vida.

Sobre a doença celíaca: Ela pode ser relacionada à introdução precoce do glúten. Estudos realizados pelo Comitê Consultivo Científico de Nutrição do Governo do Reino Unido e seu Comitê sobre toxicidade Química nos Alimentos concluíram que não há dados conclusivos que demonstrem que haja risco maior de acordo com o tempo certo de se introduzir o glúten na dieta da criança. Mas, há dados que comprovam que a introdução do glúten sem que a criança esteja sob aleitamento materno aumenta a incidência de doença celíaca.

Sobre a alergia alimentar: Como foi dito, a incidência de alergia alimentar em crianças está entre 2 a 8%, na média da estatística mundial. Nas crianças, 85% desses quadros são de alergia à proteína do leite de vaca. É contra-indicada a introdução de leite integral abaixo de 1 ano de idade. Assim, em 85% dos casos de alergia alimentar, não estaria ocorrendo nenhum nível de prevenção na janela imunológica com a introdução de alimentos sólidos nessa situação. Especula-se atualmente que, em famílias onde haja alergia alimentar comprovada, a introdução precoce de alimentos poderia ser benéfica nesse sentido. Algusn estudos estão em andamento nesse sentido, mas ainda não há conclusão definitiva sobre o assunto.

Sobre a introdução do sabor amargo: O trabalho sugere que a introdução de sabor amargo poderia facilitar a aceitação de folhas verdes e assim prevenir a obesidade mais tarde. Não há comprovação desse fato. Além disso, é sabido que o leite materno muda de sabor de acordo com a alimentação materna. Assim, o bebê é exposto a esses sabores durante seu período de aleitamento materno.

– A Baby Friendly Initiative (Iniciativa Amiga da Criança) da UNICEF do Reino Unido ainda relata que 3 dos 4 autores do trabalho declararam associação com a indústria de alimentos para crianças, mostrando claríssimo conflito de interesses.

– A recomendação do Departamento de Saúde do Reino Unido é a introdução do alimento sólido ao redor dos 6 meses, independente de o bebê estar amamentado ao seio ou com fórmulas.

Concluindo, se verificamos essas reações das próprias instituições do Reino Unido (Departamento de saúde e da UNICEF) e se, até os dias de hoje, essa se mantém como única e absoluta recomendação da Organização Mundial de Saúde, seguida pela Sociedade Brasileira de Pediatria, com brilhantes esforços na obtenção da licença-maternidade extendida até os 6 meses de vida do bebê, qualquer outra proposta deveria ser melhor estudada e mais bem estabelecida para uma mudança.

Que fique claro para os pais: o melhor, mais completo e único “cardápio” necessário para crianças até o 6º mês é o LEITE MATERNO.

ALEITAMENTO MATERNO EXCLUSIVO ATÉ O 6º MÊS DE VIDA.

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