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Pais em dobro

Tempo de Leitura: 9 minutos
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Reza a lenda, que nenhuma criança é plenamente feliz se não tiver contato com os avós. Exageros à parte, essa relação tão única, marcada por mimos e muito amor, geralmente está entre as memórias mais queridas quando nos tornamos adultos. Seja um convívio apenas de final de semana ou diário, esse contato, sim, ajuda no desenvolvimento dos pequenos. Afinal, é uma relação cercada de muita afetividade, em que o amor dos avós abre as portas para a família, mostrando como os netos são queridos, amados, acolhidos. 

Ana Paula Cuocolo Macchia, psicóloga e neuropsicóloga do Instituto Ideia, explica que arelação afetiva entre os mais velhos e os mais novos é muito significativa. “Os avós revivem através dos netos a lembrança de seus próprios filhos, mas, agora, sem os medos e a insegurança que os pais experimentam. As crianças percebem a afetividade e a segurança em muitas ações e isto as faz ficarem confortáveis. Outra razão é que os pais possuem uma preocupação com prazos, horários, desempenho das crianças frente à escola, frente ao ambiente social, frequentemente as cobram sobre suas responsabilidades e, os avós, mesmo que também o façam, acabam tendo mais leveza e menos ansiedade por sua maturidade.”, comenta. 

Já Bianca Novaretti, psicóloga clínica, lembra que, como normalmente os avós são menos rígidos quando se trata dos netos, o ficar com eles tende a ser mais prazeroso, mais acolhedor, mais lúdico. “Com a correria do dia-a-dia, muitos pais deixam de escutar os seus filhos, já os avós escutam e participam dessa relação.  A criança é acolhida, é ouvida, se sente parte daquele momento, o que fortalece o vínculo entre eles. Os avós tendem a ser mais compreensivos em alguns casos. Muitas vezes, os pais se colocam a julgar antes de escutá-los. E, ao temer o julgamento dos pais, crianças e adolescentes se sentem mais à vontade para tratar desses assuntos “delicados” com os avós.”. Outro lado bom desse convívio é em relação aos pequenos receberem as informações culturais passadas pelos mais velhos. É por meio deste laço que se transmitem as histórias e tradições da família, e isso é fundamental na organização e papel da família na sociedade.

Além da relação de final de semana e viagens, que é uma delícia, algumas crianças ficam também durante a semana com os avós, antes ou depois da escola, já que os pais trabalham. Esse é o caso de Gabriel, 4 anos, filho da psicóloga Renata Dourado e neto de Biagina, do Rio de Janeiro. Gabriel tem uma relação diária com a avó materna, mas, apesar dos mimos, ela procura seguir a orientação que a mãe dá. “Precisa ter o limite que permeia o bom senso. Não pode estar mimando demais e estragando a relação de autoridade dos pais. Meu filho tem adoração pela minha mãe e eu acho isso fundamental para o futuro dele, pois vai ensinar a ter respeito pelos mais velhos, entre outros benefícios. Além disso, ele terá boas lembranças de uma infância cercada pelos mais velhos e isso marca muito a vida adulta. Entretanto, mesmo a avó sendo uma referência para ele e com uma ligação muito forte, ele sabe que a autoridade em casa é minha, pois, como disse, a responsabilidade é dos pais. Os avós são a parte doce da infância. A disciplina é minha”, completa. 

Em São Paulo, na família da jornalista Tatiana Dantas, mãe de Luiza, de quase 3 anos, o exemplo se repete, ou seja, a relação entre avós e a neta é excelente. “Minha mãe que pega a minha filha na escola diariamente e fica com ela, junto com o meu pai, até eu chegar do trabalho. Já a mãe do meu marido mora em Osasco, nós no Tatuapé, e ela vem todo fim de semana para a nossa casa para curtir a neta. É um esforço grande, que mostra o grande amor e doação que ela tem pela Luiza. Já o pai dele mora mais distante, tem outra família e nos vemos esporadicamente, mas a relação é ótima também.”. Sobre quem “manda” na menina, Tatiana conta que seus pais colocam mais limites do que a sogra, mas isso talvez se explique pelo fato de ficarem com a Luiza diariamente. “Eles são excelentes e respeitam as nossas decisões e a forma como a criamos, principalmente referente à alimentação dela.”, completa.

Com a assessora de comunicação Catharina Vale, que mora em Brasília, e é mãe de Isabel, de 3 anos, a história, pelo que parece, passa de mãe para filha. Pelo menos nesse contato com os avós. Catharina morou um tempo com os avós quando os pais foram morar na Alemanha e, conta ela, o reencontro com os irmãos e pais só foi possível porque o avô materno foi levá-los para lá. Já Isabel tem uma relação com a avó materna a distância, mas não menos profunda por isso. “O papel da minha mãe é fundamental. Ela vive em Fortaleza, mas é super presente. Sem a ajuda dela algumas coisas seriam impossíveis. Graças ao apoio dela, por exemplo, viajo a trabalho tranquila. Quando minha filha tinha somente 1 ano, eu precisei ficar 16 dicas em São Paulo e meu marido estava trabalhando em um ritmo intenso também. Isabel ficou com minha mãe em Fortaleza. São viagens conjuntas, visitas, organização de festas. Minha mãe é uma avó muito presente e elas se falam praticamente todos os dias. Além de minha mãe, tem a avó paterna, que vive fora, mas também é bem presente. Faz bolsa de crochê, vem passar férias, fica com a neta para os pais poderem dar uma saidinha. E tem mais: a menina tem duas avós extras por parte do pai, que são duas tias que não têm filhos e que ajudam a cuidar; e, como se não fosse o suficiente, ainda há as avós “postiças”, que também moram em Brasília, que são pais de amigos queridos, que não têm netos e a adotaram como tal. Isabel chama de avó, quase todo final de semana temos almoço conjunto. Avós que mimam, que cedem às vontades da neta, que enchem de amor e proteção.”. Sim, Isabel é uma privilegiada.

Todo esse amor, carinho e atenção talvez possam ser o porquê de alguns netos sempre escolherem a companhia dos avós no lugar dos pais. Alessandra Corrêa, jornalista, hoje com 41 anos, comenta que sempre preferiu ficar com os avós, especialmente quando estava doente. “Lembro como se fosse hoje. Eu tinha uns 7 anos e tive catapora com muita febre. Como minha mãe me obrigava a tomar banho frio por conta da temperatura, eu chorava para ir para a casa dos meus avós, porque o banho era morno. E ainda tinha o fato do meu avô fazer cabaninha (colocar o lençol sob ele para formar uma cabana) para eu deitar dentro. Coitado, ficava todo torto só para brincar comigo”, diverte-se, contando. “Eu tive uma infância muito feliz, e boa parte dessa alegria se deve aos meus avós paternos. As melhores histórias, os melhores encontros, eram na casa deles”, relembra.

Bem, parece que é uma relação perfeita a que envolve avós e netos, certo? Nem sempre. Embora sejam muitos os benefícios, como em toda relação, há o lado não tão bom. “Da mesma maneira que as tradições são transmitidas entre essas gerações, conflitos e angústias podem ser transmitidas às crianças. Nem sempre os ambientes familiares estão saudáveis, no que se refere às relações interpessoais e familiares. Neste caso, estamos falando de relações ou de uma família disfuncional.”, diz Ana Paula. Para quem não sabe, família disfuncional é aquela em que acontecem muitos conflitos, inclusive má conduta e até abuso por parte de alguns membros.

Existe, ainda, o fato de algumas dessas relações serem muito permissivas por parte dos avós. Ana Paula conta que muitos acabam tendo dificuldade em falar não e impor limites de comportamento. “É muito importante que avós transmitam afeto sem deixar que a criança perca a referência de autoridade na família. Invariavelmente, quando uma criança perde isso, irá esvaziar o papel de autoridade dos pais.”, complementa.

Em algumas famílias, há, também, alguns problemas no que se refere a criação da criança. Não é difícil encontrar discussões familiares pelos pais dizerem algo para o filho, e os avós darem uma opinião diferente. Bianca Novaretti lembra que há diferença entre os avós que recebem os netos no final de semana e férias, e aqueles que fazem parte do dia-a-dia, pois estes entram como cuidadores, substituto dos pais. “Na dinâmica familiar, com pai e mãe trabalhando fora, muitos avós substituem esses pais, são cuidadores, educadores. Dentro desta observação, os pais e os avós devem dialogar e estabelecer, juntos, os limites, para que um não desautorize o outro perante a criança. Se os pais colocam limites, estes devem ser respeitados pelos avós e vice e versa. Caso os atores dessa família percebam algum exagero, ou não gostem de algum movimento, chamem para uma conversa longe da criança, evite repreender o outro na sua frente. Esse alinhamento é essencial para um convívio harmonioso”, complementa. 

Catharina, por exemplo, comenta que sua mãe permite coisas que ela não permite, mas, no geral, nada que realmente não gostaria. “Há limites acordados entre a gente também”, completa. Tatiana conta que, apesar dela e seu marido descobrirem muito com os pais, a palavra final é sempre do casal. “Eles têm mais experiência e aprendemos muito com eles, mas temos o nosso jeito de criar a Luiza e eles nos respeitam. Por isso é que dá tão certo a nossa relação. Há respeito e cumplicidade de todas as partes.”, completa. A psicóloga Ana Paula vai além: “Os avós não sabem mais que os pais, mas muitas vezes possuem maior maturidade para a resolução de algum tipo de problema, ou mais serenidade para encará-lo.”, lembra Ana Paula.

Mas, então, qual seria o papel dos avós na vida das crianças? Nesta questão, cada família deve saber avaliar qual é a função de cada membro na educação dos pequenos. Mas uma coisa é certa: com avós por perto, com certeza seus filhos terão seus pais e sogros entre as melhores lembranças da infância.

Conteúdo autorizado para reprodução na Revista Materlife com a fonte retida pelo publicador.

Divulgado em: jornalista Priscila Correia, do blog Aventuras Maternas – www.aventurasmaternas.com.br

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