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Sinais indicativos de transtornos do neurodesenvolvimento em crianças até 3 anos

Tempo de Leitura: 4 minutos
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Transtornos ou distúrbios do neurodesenvolvimento são condições que afetam o desenvolvimento do sistema nervoso central da criança. Esses transtornos podem resultar em disfunção sensorial, deglutitória e alimentar, óssea, postural e motora, vestibular, perceptual, de atenção, de memória, de cognição, de fala, comunicação e linguagem, de regulação das emoções; além de outros aspectos que interferem diretamente nas habilidades globais de desenvolvimento na infância.

Uma criança pode apresentar vários, ou apenas um transtorno, sendo os mais comuns: o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), o transtorno do espectro autista (TEA), o transtorno do desenvolvimento da coordenação (TDC), o transtorno do desenvolvimento da linguagem (TDL), o transtorno opositivo desafiador (TOD), e a paralisia cerebral (PC).

Por conta dos vários sistemas afetados, torna-se indispensável observar o desenvolvimento dos pequenos, especialmente na fase que chamamos de primeiríssima infância, que vai do zero aos três anos de idade. Papais e cuidadores precisam estar atentos aos progressos diários.

Eu selecionei cinco sinais fortemente associados à alterações de desenvolvimento, e alguns deles, por si só, já apontam a necessidade de avaliação com fisioterapeuta. O primeiro sinal é presença de assimetrias. Bebês com assimetria em cabeça e pescoço, também possuem assimetrias no corpinho. Já ouviram aquela frase? “Ele gosta mais desse lado!”, pois bem, isso não existe no caso dos bebês; pois fisiologicamente eles não possuem lado favorito. Ambos os lados estão em pleno desenvolvimento.

Existe apenas uma observação quanto à assimetria. Existe a assimetria fisiológica que é encontrada no bebê até os 3 meses de vida. E essa assimetria faz parte do desenvolvimento típico, ela NÃO é um sinal de transtorno. Porém, se estivermos falando de um bebê que nasceu prematuro, precisaremos fazer uso da idade corrigida durante essa verificação.

O segundo sinal é o atraso de desenvolvimento. Todos os meses os bebês precisam fazer novos movimentos, e novas habilidades. Não existe “bebê preguiçoso”, não existe “bebê quietinho”. Existe bebê com dificuldade na movimentação por apresentar hipotonia, rigidez ou que não consegue vencer a gravidade por algum motivo. De forma semelhante não existe: “ele anda, mas cai do nada”. Famílias, não existe cair do nada, existe instabilidade postural, fraqueza muscular, alteração vestibular e sensorial; e podem existir ainda mais nomenclaturas.

O terceiro sinal é o desinteresse ou a apatia com pessoas, objetos ou situações. Os bebês são curiosos e sempre respondem de alguma forma ao serem chamados; pode ser com um olhar, com riso e alegria, ou com mais movimentação nas perninhas e nos bracinhos. Se o bebê não demonstra interesse em pessoas, objetos e situações, é importante investigar se há alguma alteração no sistema auditivo.

O quarto sinal é a ausência de sons de fala; os balbucios, por exemplo, iniciam até os 4 meses de vida, e algumas palavras monossilábicas são faladas antes do primeiro ano, como: dá, não, tchau, ai. Observar os sons que a criança emite e quando emite, deve fazer parte da rotina de pais e cuidadores.

O quinto sinal é mímica ou repetição. Fazer um gesto e pedir que o bebê repita: mandar beijo, imitar sons de animais, bater palmas, acenar tchau, e fazer o famoso “joinha” são exemplos de mímica e gestos simples com muita importância para o desenvolvimento. As mímicas e as repetições podem e devem ser estimuladas nas brincadeiras desde o nascimento, porém, aguardar que o bebê responda com o gesto, por volta dos 8 meses.

O desenvolvimento infantil saudável requer observação diária por parte dos cuidadores. Em caso de dúvidas, elas devem ser anotadas e sanadas com especialistas. Cada bebê e cada criança tem uma trajetória própria de nascimento, funcionalidade e autonomia. Vídeos aleatórios facilmente encontrados nas redes podem gerar problemas na compreensão da situação, aumentar a preocupação de forma desnecessária, ou, ao contrário, minimizar um sinal relevante que pode trazer prejuízos futuros.

Se a criança frequentar creche ou escola, é fundamental conversar com os professores e os cuidadores sobre a rotina, a interação, os sinais de conforto e disponibilidade da criança nesses ambientes. Famílias, o desenvolvimento infantil é um processo contínuo. Portanto, não esperem o tempo passar; em caso de suspeitas, busquem um fisioterapeuta infantil.


Dra. Taciane Melo
Fisioterapeuta neuropediátrica, especializada em desenvolvimento de bebês,
Instrutora de Shantala,
Mestre em Saúde Pública pela Fiocruz, Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN), Membro da La cause Des Bébés, associação francesa transdisciplinar de estudos e pesquisas sobre bebês, unidade Brasil.
Mentora de desenvolvimento infantil, atendimentos
online e presencial.
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@fisiotaciane_melo
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