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TOMAR ANALGÉSICO PARA MASCARAR A DOR DA CÓLICA MENSTRUAL PODE ATRAPALHAR NO DIAGNÓSTICO DA ENDOMETRIOSE

Tempo de Leitura: 4 minutos
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“A cólica forte é o principal sintoma da endometriose, doença que afeta cerca seis milhões de mulheres no Brasil e é uma das principais causas de infertilidade feminina”, alerta o ginecologista Joji Ueno (CRM-48.486), doutor em medicina pela Faculdade Medicina da USP e responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e Diretor na Clínica Gera.
Em geral, a mulher considera a cólica algo natural e a doença passa despercebida. Ela toma um analgésico por conta própria para tentar manter seus compromissos sociais e profissionais, sem levar ao médico o problema, explicando o quanto essa dor a incomoda. “Um levantamento mostrou que, do início dos sintomas até o diagnóstico da doença, o tempo médio é de oito anos”, ressalta o especialista.
Vale destacar que ingerir medicamento sem orientação médica é um perigo. “Droga é qualquer substância, natural ou sintética que, introduzida no organismo modifica suas funções”, explica o ginecologista. Portanto, a utilização de qualquer droga tem de ser monitorada por um especialista, pois seu uso exagerado pode contribuir para problemas irreversíveis no sistema reprodutor.
Entenda mais a doença
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial (tecido que reveste o útero internamente) fora da cavidade uterina. A causa exata deste problema ainda é desconhecida, mas sugere-se que, durante a menstruação, as células do endométrio passariam por meio das tubas uterinas para a cavidade peritoneal abdominal, onde se implantariam. “Os locais mais comuns de implantação são os ovários, trompas de Falópio, superfície externa do útero e septo reto-vaginal (área entre a vagina e o reto)”, explica o médico. Outras teorias indicam ainda alterações do sistema imunológico e herança genética.
A cada menstruação este tecido sangra causando dor pélvica, dor durante a relação sexual, queixas urinárias, intestinais e pode até levar à infertilidade. Dentre os sintomas mais comuns, estão:
• Dismenorréia severa (dor pélvica que ocorre durante a menstruação)
• Dispareunia (dor durante o ato sexual)
• Dor pélvica crônica
• Infertilidade
• Sintomas urinários com micções dolorosas
• Dor na região lombar baixa (costas)
• Desconforto abdominal
Diagnóstico precoce é fundamental
Ao camuflar os sintomas, ingerindo analgésicos todo mês, para aliviar a cólica, a paciente atrapalha o diagnóstico precoce. Por isso, quando ele acontece, muitas vezes, a doença já está avançada e, por um longo período, a mulher já sofreu demais com os seus sintomas perdendo qualidade de vida e comprometendo a sua saúde. “O diagnóstico pode ser feito por meio de uma laparoscopia que é um procedimento cirúrgico ambulatorial onde uma câmara é inserida na cavidade abdominal pelo umbigo, permitindo identificar as lesões e determinar a extensão da doença”, informa o especialista. A retirada de um pequeno fragmento de tecido suspeito (biópsia) para a realização de um exame anatomopatológico dará o diagnóstico exato.
Qual o tipo de tratamento
Isso depende da faixa etária da paciente, da extensão da doença, da severidade dos sintomas, da duração da infertilidade e dos planos reprodutivos do casal. “Os tratamentos incluem observação em pacientes assintomáticos e que não desejam engravidar, uso de analgésicos para a dor moderada, interrupção dos ciclos menstruais, progesterona de uso diário ou depósito, medicamentos que inibem o funcionamento dos ovários e tratamentos cirúrgicos que irão destruir o tecido endometrial, removendo as lesões e buscando restaurar a anatomia pélvica”, considera o médico. Vale destacar que a ressecção das lesões por laparoscopia pode elevar as chances de gravidez em mulheres inférteis.
É possível prevenir?
De acordo com os especialistas, não há prevenção. “Mas aquelas que usam anticoncepcionais orais para o controle da gestação tem uma menor incidência da doença”, confirma Ueno.

Fonte- Ginecologista Joji Ueno (CRM-48.486), doutor em medicina pela Faculdade Medicina da USP e responsável pelo setor de Histeroscopia Ambulatorial do Hospital Sírio Libanês e Diretor na Clínica Gera.

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