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A importância da tecnologia assistiva para facilitação da marcha de bebês e crianças pequenas

Tempo de Leitura: 5 minutos
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Quando esperamos que os bebês comecem a se colocar em pé?

Normalmente os bebês começam a se puxar para “em pé” entre 7 e 9 meses de idade; para bebês prematuros deve-se considerar a idade corrigida. Esse marco do desenvolvimento motor é esperado após a aquisição de algumas habilidades, como controle cervical completo, pivotear, extensão dos cotovelos em pronação, sentar com mínimo apoio e conseguir permanecer ajoelhado com apoio à frente. No início, é comum que os bebês se apoiem nos elementos do ambiente, como sofás, cadeiras e mesinhas, para testar a força de suas pernas. Este processo é gradual e varia de bebê para bebê.

Os bebês não devem ser colocados em pé antes dos nove meses de idade, a menos que espontaneamente se ponham nessa postura. Cabe salientar que a partir do nono mês a descarga de peso em ortostase (em pé) é essencial para o desenvolvimento. Existe uma relação entre a importância de os bebês começarem a se colocar em pé e a formação óssea do quadril, que está diretamente ligada ao desenvolvimento da articulação coxofemoral que conecta o fêmur à pelve. O estímulo mecânico gerado pelo ato de ficar em pé e posteriormente andar é fundamental para modelar essa cavidade, garantindo uma articulação mais estável e funcional.

Quando os bebês começam a ficar em pé, os músculos do glúteo médio e mínimo, assim como os adutores e flexores do quadril, são ativados de forma mais intensa. Esse fortalecimento muscular ajuda a melhor distribuição das forças sobre a articulação, reduzindo o risco de desalinhamentos, luxações ou displasias de quadril, quando o encaixe entre o fêmur e o acetábulo não se forma corretamente.

Do ponto de vista biomecânico, a partir do nono mês de vida é importante que os bebês comecem a se colocar em pé, pois este movimento fortalece a musculatura das pernas, quadris e tronco, preparando-os para os primeiros passos.

Pensando em uma criança com desenvolvimento atípico que já está com nove meses, mas ainda não sustenta descarga de peso nas pernas, cabe ao profissional que acompanha avaliar os recursos necessários para proporcionar o melhor alinhamento biomecânico durante a ortostase, a qual deve ocorrer por pelo menos uma hora por dia.

É essencial que a família seja orientada sobre como colocar a criança em pé em casa, através de facilitação, se necessário, o que pode ser realizado de diversas maneiras, através das mãos na articulação dos joelhos do bebê, uso de faixas neuro para alinhamento, talas de lona, parapodium ou suporte de cabeça caso não tenha controle cervical. Na escolha dos dispositivos deve sempre ser priorizado que a descarga de peso ocorra com mínimo auxílio externo.

QUANDO É INDICADA A PRESCRIÇÃO DE TREINADOR DE MARCHA?

O caminhar é uma construção, antes da aquisição do andar independente: os bebês já vivenciaram diversas posturas e transferências. Os primeiros passos geralmente ocorrem entre 10 e 18 meses, sendo mais frequente os iniciarem por volta de 12 a 14 meses; atentar-se para os que ainda não começaram a deambular e já estão com idade acima de 15 meses, lembrando que para bebês prematuros deve-se considerar a idade corrigida.

O uso do andador terapêutico para bebês é indicado em casos de necessidades específicas, como importante atraso motor, fraqueza muscular, alterações neurológicas que afetem o tônus muscular ou outras condições que dificultem a aquisição da marcha independente. Aqui não estamos nos referindo àqueles andadores que são contraindicados por inúmeros malefícios já muito bem descritos na literatura, mas sim de um treinador de marcha.

O momento ideal para prescrição varia conforme a condição da criança e sua capacidade motora. Em geral, pode ser indicado por volta de doze meses de vida, caso o bebê apresente dificuldade para sustentar o peso, significativo atraso motor, não evolua na postura ou tentativa de ficar em pé e/ou apresentar importante déficit no controle de tronco. Se por volta de 12 meses não houver prognóstico de marcha independente para antes de completar 24 meses, é necessário que a equipe avalie se há indicação de prescrição de um andador terapêutico.

Existem diversos treinadores de marcha; a escolha do tamanho e modelo é realizada pelo fisioterapeuta e/ou médico, visto que a necessidade de suporte varia e precisa ser considerada.

O uso do andador terapêutico deve ser acompanhado por um profissional, que fará ajustes no equipamento. Além disso, o andador deve ser utilizado em conjunto com outras intervenções, como a fisioterapia, para garantir que a criança desenvolva força, equilíbrio e coordenação de forma segura e progressiva. Cabe salientar que não é porque a criança tem indicação de usar um andador que não terá prognóstico de marcha independente a médio ou longo prazo, já que a introdução no momento apropriado pode ajudar a desenvolver a força muscular, equilíbrio e melhorar o desfecho de marcha.

Fonte: Tatiane Paludo
Mestre e Doutoranda em Ciências da Reabilitação pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), pesquisadora sobre avaliação e follow-up de bebês prematuros.

tatiane.paludo@yahoo.com.br
Instagram: tatianepaludofisiobebes
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