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Pandemia compromete vida de jovens que ficaram órfãos

Tempo de Leitura: 5 minutos
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Close up of boy hands holding a red heart shape. Top view of child hands showing small red heart. High angle view of kid hands holding a heart-shaped stone at home, symbol of love and care.

Existe um horizonte para além da covid-19, mas mesmo quando alcançarmos novamente o mundo normal, as cicatrizes deixadas pela pandemia jamais poderão ser apagadas da história. Será preciso lidar com as sequelas em todas as esferas da sociedade, sendo uma delas o irremediável impacto das mais de 500 mil mortes no país, que desfalcou famílias e deixou milhares de crianças e adolescentes órfãos.

Um estudo realizado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doença (CDC), nos EUA, revela que globalmente mais de 1,5 milhão de crianças perderam seus responsáveis diretos para o vírus, no Brasil esse número chega a 130 mil, sendo um dos países com maior índice. Os dados publicados pela revista científica The Lancet acenderam o alerta para o futuro dos pequenos, que consequentemente ficaram mais vulneráveis.

Os pesquisadores que trabalharam no projeto alegam que a perca do principal responsável deve acarretar em efeitos adversos que expõe os menores à falta de saúde, segurança, educação e bem-estar, justamente pelo comprometimento da renda familiar e pela transferência da criação. Um dos principais desafios agora é oferecer assistência para àqueles que ficaram com a tarefa de cuidar dessas crianças.

Uma das sugestões propostas por Lucie Cluver, professora da Universidade de Oxford, foi a criação de uma bolsa auxílio do governo para que os cidadãos enfrentem essa fase. Mas há quem não queira esperar iniciativa pública; entre as soluções imediatas encontrada por pais e responsáveis que querem evitar o pior, está a criação de um Seguro de Vida, como decidiu fazer o analista de sistemas e empresário, Marcelo Nascimento, 51, “Na pandemia vi pessoas próximas adoecer e até perder a vida, o que me motivou a optar pelo seguro. Tenho um filho com 18 anos e preciso pensar no seu futuro” conta Marcelo.

De acordo com dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FunaPrevi), a adesão ao Seguro de Vida aumentou 26,2% desde o início da pandemia. Só nos primeiros meses de 2021, houve um aumento de 24% no fechamento desses planos. Para Luiz Carlos Pereira, consultor de planejamento, o brasileiro demorou para se conscientizar “Em países como EUA, Japão e outros na Europa, o seguro de vida já faz parte do planejamento financeiro das famílias. Esta é uma ferramenta imprescindível porque se uma fatalidade acontece com os pais, os mais atingidos são as crianças”.

Luiz ainda reitera que o seguro se aplica à várias situações, uma delas é a invalidez, que nesse caso também pode ser causada por sequelas mais graves da Covid “As pessoas se esquecem, mas caso alguém fique totalmente ou parcialmente inválido, até mesmo fique internado por muitos dias, como tem acontecido, sua vida financeira deve entrar em colapso. Sendo assim, os produtos oferecidos pelas seguradoras são indicados para qualquer pessoa desde cedo”, completa o corretor.

Para além dos pequenos, pouco se fala do sofrimento imposto ao jovem adulto, na faixa entre os 18 e 34 anos, alguns ainda dependem dos pais, enquanto outros não possuem renda suficiente para assumir todas as despesas. O último levantamento do IBGE mostrou que cerca de 24% dos jovens brasileiros ainda não saíram de casa. Se por um lado a perca desses familiares traz um certo amadurecimento tardio, por outro o total desamparo deve impactar negativamente.

Como é o caso de Alberto Lopes Mendes, profissional autônomo, 35, até o falecimento de sua mãe, Marlene Lopes Mendes, 56, em fevereiro, Alberto tinha um lar e o mínimo de estabilidade, que lhe foi tirado pelo padrasto que assumiu todos os bens da esposa. Alberto admite que uma possível previdência deixada por sua mãe teria sido de grande ajuda nesse momento de dificuldade “Se tivéssemos vislumbrado esses problemas, provavelmente teríamos investido em nós, garantido segurança e qualidade de vida. Com essa situação eu perdi tudo; minha mãe, meu emprego, dinheiro que tinha guardado. Vou ter que recomeçar a vida sem nenhuma estrutura”, desabafa Alberto.

Se as incertezas se tornaram cada vez mais presentes, o aprendizado que fica diante das precariedades que a pandemia impôs é que um bom planejamento pode evitar tragédias ainda maiores do que a morte.

O bancário José Alcimar Baía, 52, era aquele pai organizado que tinha tudo na ponta do lápis e sempre fez o possível para deixar seus filhos respaldados. Infelizmente seu maior medo se concretizou e, em março, José se tornou mais uma vítima da covid-19. Para a filha, Isabel Baía, médica, 27, seu falecimento precoce a fez enxergar o valor de suas atitudes “Meu pai se programou há muitos anos para deixar a gente confortável se algo acontecesse com ele. Estava sempre falando sobre a importância de cuidar de tudo e nos orientando. Ele minimizou o impacto financeiro para nós; graças a ele meu irmão do meio vai poder continuar os estudos e minha irmã mais nova está amparada”, explica a médica. Em tempos tão sombrios, pensar no conforto da própria família é mais do que uma estratégia, é um gesto de amor sem limites.

Por Lorena S. Ávila

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