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Excesso de telas – uma triste realidade

Tempo de Leitura: 4 minutos
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Children sit at a table in a cafe and play mobile phones together. Modern entertainment

Esse texto foge da proposta de ser apenas orientativo, mas sim uma possibilidade de reflexão.

Tenho cada vez mais me deparado com situações em que presencio o uso excessivo de telas, não só relacionado a adultos, mas também às crianças, famílias e por aí vai.

Vou relatar uma experiência que vivi no último mês de janeiro – período de férias, com a minha família.

Estávamos em um hotel e me deparei diariamente com várias situações que me deixaram bastante entristecida e obviamente preocupada. Essas observações, me fizeram pensar em muitas coisas em relação aos pais (com quem atuo), em relação às crianças (com quem atuo indiretamente) e em relação às famílias atuais.

Todas as manhãs, logo no café da manhã, a mesma cena parecia se repetir em muitas famílias: crianças logo no desjejum, acompanhadas de celulares, tablets, comendo sem mesmo saber o que estavam comendo, ou caminhando já com eles nas mãos, sem saber para qual direção estavam indo, sem observar, sentir ou perceber qualquer coisa em torno.

Observei pais absolutamente reféns de crianças, muitas delas ainda muito pequenas, que choram por qualquer motivo e são caladas por seus pais lhe oferecendo as telas para que esses possam se entreter e lhes darem algum sossego ou que não suportam sustentar um NÃO.

Uma cena que chegou até me arrancar lágrimas, foi quando observei uma garotinha de uns 9 anos de idade, jantando sozinha com seu pai, em que ele sequer trocou uma palavra com ela. Por muito tempo olhava para mim e sorria. E esse sorriso parecia até um pedido de socorro. Mas não pude fazer nada, afinal de contas, que autorização eu teria para dizer qualquer coisa? E ela ao ir embora, me mandou um triste “tchau” com o mesmo sorriso de quem fora compreendida em sua triste realidade. 

Outra cena, essa talvez a mais triste, onde todos da mesma família se encontravam na mesma mesa, cada um com seus gadgets, sem nenhum convívio ou conexão. E quem nunca se deparou com uma cena dessas?

Diante de todas as cenas relatadas acima, o que mais me chamou atenção é que não se tratava de uma situação cotidiana, mas momentos de férias e de lazer!

Parece que alguns pais, perderam os limites para uso de seus próprios equipamentos eletrônicos e perderam a noção de como devem oferecer esses mesmos equipamentos a seus filhos. Parece que os pais criaram a ideia de que com a oferta desses gadgets, estão proporcionando amor, afeto, carinho e atenção aos seus filhos. Mas não perceberam que seus filhos estão se tornando órfãos de pais vivos, sendo orientados por vídeos, reels ou até mesmo redes sociais, sem nenhum critério de qualidade ou controle do tempo de utilização.

As crianças por sua vez, estão perdendo a capacidade natural que tem para brincar. Hoje em dia parece raro ver crianças brincando com carrinhos, bonecas, casinhas e com isso suas capacidades imaginativas estão sendo substituídas pelas telas, com uma interação passiva.

Vale dizer aqui, que cada vez mais estudos sobre o uso excessivo de telas em crianças estão à disposição, como por exemplo um estudo multicêntrico conduzido ao longo de 10 anos, realizado com 11 mil pessoas para demonstrar o efeito das telas (celulares, tablets, computador e TV) em crianças, adolescentes e adultos.

O resultado desse estudo mostrou que o uso constante de telas atrofia o córtex cerebral com possível diminuição da receptividade de informações sensoriais (visão, audição, olfato, tato e paladar), pois acabam menos estimulados durante o uso da tela, do que em outras atividades. Demonstrou também que adolescentes que usam redes sociais menos de 30 minutos por dia, apresentam muito menos sintomas depressivos e autodestrutivos do que os adolescentes que usam redes sociais por um tempo superior a este.

Mas independentemente de qualquer estudo, não precisamos ir muito longe para perceber o quanto as telas, hoje em dia principalmente os smartphones, estão afastando as pessoas. Pais sozinhos, casais afastados, filhos largados, famílias desconectadas.

Os gadgets devem ser utilizados para o nosso bem, a favor das nossas vidas e não como uma ferramenta de distanciamento. Que as pessoas se conectem mais afetivamente e menos tecnologicamente, porque o olhar nos olhos não deveria ser substituído por olhar nas telas.

Cynthia Boscovich
Psicóloga clínica e perinatal.
Psicóloga do sono
Especialista em transtornos de humor.
Colaboradora do GRUDA (Programa de Transtornos afetivos do IPQ/ HC/ FMUSP).
Email: cyboscovich@gmail.com
Tel. 11 5549-1021/11 99687-9087
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