Clique e acesse a edição digital

Educação Inclusiva, o que é isso?

Tempo de Leitura: 8 minutos
Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email
People Showing Panel - Student

É sempre um desafio falar sobre inclusão, sobretudo sobre educação inclusiva. O tema é amplo e complexo. Ao longo da história, tivemos muitas mudanças na forma de enxergar as pessoas com deficiência e o conceito vem sendo aprimorado para dar um maior sentido. Passamos por diversas fases: primeiro falava-se de segregação, ou seja, estar à parte da sociedade; passamos para integração, quando reconhecidos pela sociedade, porém ainda à margem; atualmente há o conceito de inclusão, dentro da sociedade com os mesmos direitos, porém tendo reconhecimento de suas diferenças.

Considerando que a educação é um direito de todos e um dever do Estado, isso se aplica também à pessoa com deficiência. Então, a educação inclusiva visa garantir a igualdade de oportunidades.
A educação inclusiva pode ser entendida como uma concepção de ensino contemporânea que tem como objetivo garantir o direito de todos à educação. Ela pressupõe o reconhecimento da diferença como um valor e o direito de cada um ser como é, contemplando, assim, a vasta gama de diferenças étnicas, sociais, culturais, intelectuais, físicas, sensoriais e de gênero inerentes aos seres humanos. Isso implica na transformação da cultura, das práticas e das políticas vigentes na escola e nos sistemas de ensino, de modo a garantir o acesso, a participação e a aprendizagem de todos, sem exceção.

Para uma sociedade inclusiva é preciso que todos construam juntos, já que temos um papel importante neste contexto, ou seja, a escola, a família, a comunidade e as organizações. Incluir não se encerra com o fato do aluno com deficiência ser matriculado na escola regular. A política oficial de educação no Brasil é a Educação Inclusiva: uma mesma escola para todos os alunos para que aprendam juntos, sem nenhum tipo de discriminação.
Para tal é necessário que o aluno receba os apoios que irão contribuir para o seu desenvolvimento. Além disso, os professores, assim como orientadores, necessitam de apoio técnico e formação para que possam atuar com os alunos com deficiência.
Sendo assim, é de suma importância que a escola esteja adequada para receber e favorecer o processo de aprendizagem de pessoas com deficiência, e que seus professores e coordenadores tenham boa formação e conhecimento a cerca da temática da deficiência e os diversos recursos para apoiar seus alunos. Isso cabe a qualquer escola em qualquer região do país.
Inclusão Social; Saúde
10 coisas que você precisa saber sobre deficiência intelectual
Pessoas com esta deficiência podem casar, votar e trabalhar?
Médica e assistente social do Instituto Jô Clemente esclarecem dúvidas
Há muitos mitos sobre a deficiência intelectual e a participação das pessoas com esta deficiência na sociedade. Além do preconceito, há um estigma de que por ser uma deficiência intelectual, ou seja, cognitiva e que interfere no aprendizado, a pessoa não é capaz de realizar atividades e de exercer a sua cidadania. Em parceria com a Dra. Danielle Christofolli, médica responsável do Ambulatório de Diagnóstico, e Mônica Rocha, assistente social do Instituto Jô Clemente, elaboramos este texto com o objetivo de contribuir para a promoção da igualdade e a inclusão da pessoa com deficiência intelectual. Confira abaixo 10 coisas que você precisa saber sobre a deficiência intelectual.
1 – O que é deficiência intelectual?
“A deficiência intelectual, segundo a Associação Americana da Deficiência Intelectual e do Desenvolvimento (AAIDD), caracteriza-se por um comprometimento do intelectual, associado a limitações adaptativas em pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, autocuidado, vida no lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade, determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho), que ocorrem antes dos 18 anos de idade”, explica Dra. Danielle Christofolli, médica do Ambulatório de Diagnóstico do Instituto Jô Clemente.
No dia a dia, isso significa que a pessoa com deficiência intelectual tem dificuldade para aprender, entender e realizar atividades comuns para as outras pessoas, mas nada que a impossibilite de avançar no que lhe é proposto, desde que tenha apoios necessários.
2 – Deficiência intelectual não é doença mental
Deficiência intelectual e doença mental são coisas distintas. Na deficiência intelectual, a pessoa apresenta um comprometimento no seu desenvolvimento. Ou seja, existe uma alteração cognitiva. Já a doença mental engloba uma série de condições que causam alteração de humor e comportamento e podem afetar o desempenho da pessoa na sociedade. Em resumo, é uma doença psiquiátrica, que deve ser tratada por um psiquiatra.
3 – Deficiência intelectual não é visível
Por se tratar de um comprometimento cognitivo, a deficiência intelectual não traz características físicas. Logo, não é possível identificar se a pessoa tem ou não deficiência intelectual pela aparência. Muitas vezes, você poderá até conversar com uma pessoa com deficiência intelectual na rua e nem perceberá. Isso pode acarretar uma série de preconceitos.
4 – A deficiência intelectual não define o indivíduo
A pessoa com deficiência intelectual tem dificuldades, sentimentos, vontades e sonhos como qualquer outro indivíduo. Por isso, não é indicado chamá-la de “deficiente” e muito menos de “portadora de deficiência”. O indivíduo possui deficiência intelectual, mas ela não o define por inteiro.
5 – Pessoas com deficiência intelectual podem casar e trabalhar
As pessoas com deficiência intelectual possuem os mesmos direitos que todos os outros cidadãos, entre eles o trabalho e o matrimônio. O direito ao casamento é garantido pela LBI – Lei Brasileira de Inclusão, sancionada em 2015. Já, por meio da Lei de Cotas, promulgada em 1991, as pessoas com deficiência intelectual começaram a serem inseridas no mercado de trabalho. Atualmente, o Instituto Jô Clemente oferece o Serviço de Inclusão Profissional e Longevidade que promove a colocação de pessoas com deficiência intelectual em empresas. Por ano, mais de 400 pessoas com deficiência intelectual são empregadas em grandes empresas em São Paulo.
6 – Pessoas com deficiência intelectual podem falar por elas mesmas
A sociedade vê a pessoa com deficiência intelectual como um incapaz, que não pode falar por si só ou exprimir a sua vontade. Um grande desafio é o de sensibilizar e apoiá-las para que sejam cada vez mais protagonistas de sua própria história. Pensando nisso, o Instituto Jô Clemente realiza o Programa de Autodefensoria, que promove ações de self-advocacy (defesa de si mesmo) realizadas pelas pessoas com deficiência intelectual. “Por meio deste trabalho, pessoas com deficiência intelectual são empoderadas para defesa e garantia de seus direitos, participando de conselhos municipais, audiências públicas e espaços que promova esse debate, contribuindo para a construção de políticas públicas mais inclusivas para elas e para as demais pessoas com deficiência”, explica Mônica Rocha, assistente social do Programa de Autodefensoria do Instituto Jô Clemente.
7 – Pessoas com deficiência intelectual podem votar
Como qualquer outro cidadão, a pessoa com deficiência intelectual pode votar. Basta ter o título de eleitor. Para ter acesso ao direito, a pessoa com deficiência intelectual, maior de 18 anos, deve ir ao cartório eleitoral mais próximo levando documento de identificação e comprovante de residência atualizado em seu nome. Qualquer dúvida, poderá ser esclarecida pela Central de Atendimento ao Eleitor, o disque 148. “Caso a pessoa com deficiência intelectual esteja sob a responsabilidade de um curador, a LBI é clara ao afirmar que esta situação não impede o exercício de direitos políticos”, esclarece a assistente social.
8 – Não trate pessoas com deficiência intelectual de forma infantilizada
As pessoas com deficiência possuem limitações. No entanto, não é necessário tratá-las de forma infantilizada ou com pena. Tratá-las dessa forma não irá contribuir para a sua inclusão na sociedade. “O indivíduo com deficiência intelectual é capaz de realizar
diversas atividades, inclusive esportes, trabalhar, namorar, etc. Por isso, sempre se refira a pessoa com deficiência intelectual de acordo com a idade dela, de forma natural e com empatia”, destaca Dra. Danielle Christofolli.
9 – Pessoas com deficiência intelectual têm direito a benefícios sociais
As pessoas com deficiência intelectual têm direito a alguns benefícios sociais. Por meio da LOAS – Lei Orgânica da Assistência Social, as pessoas com deficiência intelectual têm direito ao BPC – Benefício de Prestação Continuada, que garante o recebimento de um salário mínimo mensal. O critério é ter uma renda per capita de ¼ do salário mínimo. Além disso, há a gratuidade no sistema de transporte municipal, intermunicipal e interestadual por meio do bilhete único.
10 – Doenças infecciosas, como meningite, podem causar deficiência intelectual?
São diversas as causas da deficiência intelectual, entre elas as doenças infecciosas graves. “Meningites, encefalites e desnutrição grave podem causar deficiência intelectual. Há também outros fatores mais comuns como as causas genéticas, a prematuridade, a falta de oxigênio durante o parto e o consumo de drogas e álcool pela mãe durante a gestação”, conta Dra. Danielle Christofolli.
Autoras
Mônica Neves Rocha Arten é Assistente social do Instituto Jô Clemente no Programa de Autodefensoria.

Danielle Christofolli, médica responsável do Ambulatório de Diagnóstico do Instituto Jô Clemente.

Share on facebook
Facebook
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on linkedin
LinkedIn
Share on twitter
Twitter
Share on email
Email

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Subscribe To Our Newsletter

Subscribe to our email newsletter today to receive updates on the latest news, tutorials and special offers!