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Prematuridade e neurodesenvolvimento: por que é tão importante acompanhar o desenvolvimento global desses bebês?

Tempo de Leitura: 4 minutos
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Dizemos que o bebê nasce prematuro quando ele nasce antes das 37 semanas de idade gestacional (IG). Dependendo de quantas semanas de antecedência seja o parto, esse recém-nascido pode nascer com o funcionamento imaturo de praticamente todos os órgãos; além de ser esperado que ele apresente baixo peso.

Se estivermos falando de um bebê muito prematuro, já é quase certo a necessidade de internação por condições fisiológicas e anatômicas próprias. A IG de nascimento e a condição clínica nortearão a necessidade de permanência em ambiente hospitalar por conta da necessidade de suporte respiratório para se manter vivo e utilização do oxigênio; outro tema importante que influencia diretamente a permanência do bebê é a via de alimentação. Geralmente eles recebem uma sondinha para alimentação, que poderá ser no nariz ou na boca, e ficará com ela até que consiga se alimentar com segurança. A pele é extremamente frágil, e como é uma barreira de proteção, ele estará mais suscetível às infecções hospitalares. Dentre outras situações.

Se inserirmos algumas das características motoras e sensoriais do bebê prematuro, é importante falarmos da musculatura molinha; essa condição promove dificuldade em vencer a gravidade e dessa forma, realizar as movimentações necessárias para a idade; pois todos os bebês precisam mover. A privação desse bebê aos estímulos que ele receberia dentro do útero, principalmente no último mês, os relacionados ao empurrar as paredes uterinas e desenvolver percepções sensoriais e espaciais pode comprometer a evolução do desenvolvimento motor dessa criança. Quando falamos em desenvolvimento motor, referimo-nos às aquisições de novas habilidades posturais e de movimento desse bebê, como: segurar a cabeça, rolar, sentar, habilidades manuais e assim por diante. E essas características são completamente distintas do bebê que nasce com 9 meses.

Como há uma variação importante de situações clínicas, sequelas e complicações hospitalares importantes relacionadas com a baixa IG desses recém-nascidos (RN), existem algumas classificações que nos ajudam a entender melhor os tipos de prematuridade. Comumente consideram-se três tipos conforme a idade gestacional:

  1. Prematuridade extrema (nascimento abaixo de 28 semanas)
  2. Prematuridade precoce (nascimento 29 semanas – 33 semanas)
  3. Prematuridade tardia (nascimento 34 semanas – 36 semanas e 6 dias)

Os bebês que nascem dentro do período compreendido como prematuridade extrema têm maior chance de apresentar alterações motoras, assim como lesões neurológicas graves no primeiro ano de vida. Estudos diversos demonstram que 15% desse perfil de bebês (prematuridade extrema) desenvolverão algum nível de paralisia cerebral, e que 50% deles desenvolverão algum outro tipo de comprometimento. A prematuridade, por si, está associada a um pior desenvolvimento funcional dessa criança aos 2 anos de vida: dificuldades de atenção e aprendizagem, distúrbios de linguagem, planejamento, orientação espacial, coordenação motora e equilíbrio.

Portanto, após a alta hospitalar, é essencial que esse bebê seja avaliado e acompanhado por uma equipe experiente. É fundamental que esse fisioterapeuta identifique os sinais precoces de atraso ou de disfunção do desenvolvimento e alinhe junto à família um conjunto de estratégias terapêuticas que enriqueçam a rotina exploratória desse bebê dentro do seu contexto específico e/ou associado à fisioterapia.

*A classificação de prematuridade citada é apenas uma das várias existentes; existem classificações que variam a IG conforme autor e algumas que incluem quatro tipos de prematuridade: extrema, precoce, moderada, tardia.

Existe um mundo de possibilidades para a trajetória de desenvolvimento de cada bebê por conta do histórico da gestação, parto, nascimento, internação hospitalar, complicações e ainda, por conta da influência do ambiente externo na vida desse neném; durante e após internação. Nesses 10 anos de experiência, já vi bebês de 35s apresentarem atrasos motores importantes; assim como bebês de 30s e histórico de hemorragia craniana grau I não apresentarem atrasos. É importante buscar acompanhamento especializado para que o desenvolvimento seja otimizado ao máximo especialmente nos primeiros 2 nos de vida. De forma geral, não é uma certeza que o bebê prematuro vai apresentar atraso de desenvolvimento; é uma possibilidade. Entretanto, quanto menor a IG de nascimento, maior será essa possibilidade. É fundamental que os bebês que tenham nascido em condições de risco para o desenvolvimento infantil sejam acompanhados por um fisioterapeuta especialista em avaliação e acompanhamento do recém-nascido, a fim de assegurar as melhores oportunidades de desenvolvimento e qualidade de vida para a criança e a família.

Dra. Taciane Melo
 
Fisioterapeuta neuropediátrica, especializada em desenvolvimento de bebês,
Instrutora de Shantala, Mestre em Saúde Pública pela Fiocruz, ILMD/AM (2018),
Membro da Associação Brasileira de Fisioterapia Neurofuncional (ABRAFIN), Membro da La cause Des Bébés, associação francesa transdisciplinar de estudos e pesquisas sobre bebês, unidade Brasil.
 
@fisiotaciane_melo
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