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Hipotireoidismo na gestação: um olhar cuidadoso

Tempo de Leitura: 4 minutos
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Hoje vamos falar de um tema importante para as gestantes. A gestação é um momento de extrema sobrecarga metabólica para o organismo materno, com destaque para a tireoide.

Principalmente no primeiro trimestre, a glândula é altamente demandada, uma vez que a tireoide fetal só se tornará madura em torno da vigésima semana de gestação.

Os hormônios tireoideanos têm um papel fundamental para um bom desenvolvimento neurofuncional e cognitivo do bebê. Estes hormônios são transferidos da mãe para o feto, e níveis não adequados podem majorar alguns riscos, tais como perdas gestacionais, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, além de descolamento prematuro de placenta, prematuridade e baixo peso do bebê.

Por tudo isso, a dosagem dos hormônios tireoidianos é mandatória em um pré-natal bem conduzido. Nesse campo, é importante lembrar que muitos valores tidos como referência nos resultados de exames não são totalmente adequados. O valor de TSH acima de 4mUI/L, por exemplo, aponta para o diagnóstico de hipotireoidismo. E durante a gestação, as referências devem ser bem muito bem avaliadas.

Segundo as recomendações da American Thyroid Association (ATA), o limite superior de referência para o TSH durante a gestação foi definido em 2,5 mUI/L para o primeiro trimestre, e 3,0 mUI/L para o segundo e terceiro trimestre. Já pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), valores de TSH menores ou iguais a 2,5 mUI/L são normais ou Eutireoidismo.

Com base nesses padrões, algumas abordagens são clássicas:

– Entre 2,5 e 4,0 mUI/L, embora sejam considerados Eutireoidismo, é necessário a dosagem da Antitireoperoxidase (ATPO), e em caso de positivo, deve-se tratar com levotiroxina 50mcg/dia.

– TSH maior que 4 mUI/L e menor ou igual a 10 mUI/L, deve-se solicitar o T4livre para nortear a dose inicial entre 1 ou 2 mcg/Kg/dia.

– Caso o T4livre esteja abaixo dos níveis de normalidade, ou se TSH for maior que 10 mUI/L, já pode ser iniciada a dose de 2 mcg/Kg/dia.

Estabelecido o tratamento, alguns cuidados com a ingesta da medicação levotiroxina também são fundamentais:

✅ É recomendado que a levotiroxina seja administrada de 30 a 60 minutos antes do café da manhã ou na hora de dormir (três ou mais horas após a refeição da noite) para uma boa absorção.

✅ A ingesta da levotiroxina deve ser separada de outras medicações e suplementos potencialmente interferentes (como sulfato ferroso, carbonato de cálcio, hidróxido de alumínio e sucralfato)

✅ Trocas entre marcas comerciais de levotiroxina podem resultar em variações na dose administrada e devem ser evitadas.

✅ E sempre lembrar que em dia de coleta de exames dos hormônios tireoidianos, a medicação só deve ser feita após a coleta do sangue.

Para as pacientes que já fazem tratamento de hipotireoidismo, é importante já adequar a dose no período pré-concepcional, visando atingir um TSH menor que 2,5 mUI/L. E assim que a mulher engravidar, será necessário um incremento de 30% da levotiroxina o mais precocemente possível.

O hipotireoidismo é uma condição de alto risco na gestação e por isso deve ser acompanhado como tal, mas não há evidências de que a data prevista do parto ou a via de parto sejam alterados em razão da condição. Outro ponto que sempre é bom lembrar é que a gestação pode sim ser levada até as 40 semanas.

Enfim, todas essas informações servem para alertar sobre a importância do rastreio, diagnóstico e manejo adequados do hipotireoidismo na saúde feminina, especialmente quando vem a decisão de ter um bebê. Converse com sua médica sobre isso e tenha um excelente pré-natal visando ao melhor parto e nascimento possível.


Dra. Larissa Atala
Ginecologista e Obstetra, membro da Febrasgo
Especialista em Endoscopia Ginecológica
@dralarissaatala
dralarissaatala@gmail.com
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